Choque do Presente

Em aspectos ficcionais literários, cinematográficos, teatrais, musicais ou no prolífero universo das histórias em quadrinhos, eu sempre curti uma "distopia". Uma visão sombria de um futuro punitivo para a nossa cruel negligência humana... Mas nunca imaginei que iria vê-la acontecer de verdade, principalmente depois das Guerras Mundiais, Coloniais, Holocaustos, Koreas, Vietnãs, conflitos do Oriente Médio, Balcãs e ultimamente a expansão do Boko Haram, Daesh e a guerra da Syria.
O curioso, é que "oficialmente", com exceção de algumas zonas em conflito, o mundo não está em guerra. Mas podemos identificar nas "áreas pacíficas" do globo, várias características distópicas ocorrendo na nossa "realidade",  tal como nas obras ficcionais: "1984", "Admirável Mundo Novo", "Choque do Futuro", "Fahrenheit 451" entre outras… Elas não se apresentam de forma integral, mas num híbrido de características ocorrendo ao mesmo tempo. Como por exemplo, a proibição de publicações e leitura de determinados livros, junto com a ilusão individual de "hiper-escolha" tão enfatizada no chamado, "mundo livre".

Abaixo, tomei a liberdade de extrair um trecho de "Tubarões Voadores", uma HQ/BD do álbum, "Território de Bravos" do Luiz Gê de 1993, que muito me influenciou e ainda me encanta.

"Afinal, esta é a harmonia da vida. Por isso feche portas e janelas, Joãozinho! Não adianta nada deixar a janela apenas entreaberta... As janelas devem ter grades e as portas, trancas... As trancas, cadeados... E os cadeados, fechos de segurança. Pois no coração do prudente descansa a sabedoria."























Nesta história, tubarões com capacidade de voar, não encontram muita resistência para alcançar suas vítimas, representadas pela figura do cidadão comum... Numa alusão a um mal improvável, mas furtivo que paira sobre nosso mundo palpável e ordinário. Entretanto, hoje vivemos em ilhas com fronteiras sutis e oportunas, que abrem-se ou fecham-se ao sabor das marés econômicas e políticas... Marés que trazem ameaças quase invisíveis, mas que trazem também mensagens em garrafas, notícias de outras ilhas, de outros tempos que o oceano virtual insiste em misturar dificultando a clareza de sua compreensão. Cabe a nós, com a prudência de nossos corações decifrá-las.