Piço do Carago!























No segundo dia da Comic Con Portugal, o público e as vendas aumentaram significativamente. Ao final da tarde, eu e meu parceiro de mesa, o licantropo Tiago Araújo, recebemos a ilustre visita dos camaradas: Manel "The Spirit", André "BDMaster" Azevedo e o "X-Man" Vasconcelos.
Apesar do evento ser um derivado da "Comic Book Culture", as edições da Comic Con, que ocorrem mundo a fora, transformaram-se numa espécie de quermesse da cultura pop (americana) em geral, mas com mais ênfase ao culto das séries de televisão, filmes e games do que para os seminais comic books, apesar de haver farta oferta de álbuns de Banda Desenhada, das clássicas aos mangas etc… Todos bem expostos em diversos stands, a concorrer pela atenção dos visitantes, que ávidos por fazerem parte deste universo, desejavam sair de lá com algum prémio, nem que fosse um rabisco ou uma assinatura de um autor ou artista que eles nunca tinham ouvido falar até uns momentos antes de decidirem ir ao evento com seus respectivos familiares ou amigos. Amo todos vocês! No meio desta colorida confusão, depois de um dia cheio que prometia não terminar, resolvi dar uma voltinha... Tiago ficaria na "contenção", até ser rendido por mim na volta. Então o André sugeriu-me acompanhá-lo até um sítio que ele "descobriu" onde vendia-se algumas edições antigas de segunda mão. (Quando o André Azevedo sugerir qualquer coisa, aceite.) Lá fomos nós a atravessar aquele oceano insano de personagens de jogos, BDs , filmes e seriados… Havia imensas ofertas e como não queria deixar por lá a féria do dia, pois além de "dealer", também sou usuário, segui deveras cauteloso... Eram super-heróis e heroinas em pouca roupa, monstros e palhaços de toda sorte a me tentar… Quilometros depois de quase sermos abatidos por storm-troopers, eis que alcançamos o "spot", que ficava bem longe do núcleo principal do evento e perto da fronteira final, que divide aquela realidade das outras… Ali, depois de uma olhadela rápida, no meio de várias revistas desordenadas numa caixa de papelão, onde lia-se: 5€, a sorte sorriu-me... André, que já fazia a sua segunda incursão ao local, fitou-me surpreso e sussurrou entre os dentes: Gajo de sorte, que piço do carago! Como isto passou-me?! Nas minhas mãos, uma edição original da era de prata, Strange Tales #138. Inimaginável! Após a aquisição, de pernas bambas, retornamos à base. No caminho de volta, olhava de forma estranha e contente aquelas criaturas, que não faziam ideia de que eu levava debaixo dos meus braços, um dos artefactos mágicos fundamentais na criação daquele universo... Excelsior!